terça-feira, 20 de maio de 2014

Psicomotricidade



Postado por Maria Célia Becattini



- É uma educação do ato motor pelo pensamento, ao mesmo tempo que constitui uma educação do pensamento pelo ato motor. (Fonseca, 1992)

Segundo a Organização Internacional de Psicomotricidade e Relaxação (2001), a Psicomotricidade é "uma reeducação ou terapia de mediação corporal e expressiva, na qual o reeducador ou terapeuta estuda e compensa as condutas motoras inadequadas ou inadaptadas, em diversas situações, geralmente ligadas a problemas de desenvolvimento e de maturação psicomotora, de comportamento, de aprendizagem e de âmbito psico-afetivo". Envolve uma prática educativa com o objectivo de estimular o desenvolvimento psicomotor, e uma prática reeducativa ou terapêutica quando o desenvolvimento e aprendizagem estão comprometidos ou quando é necessário ultrapassar problemas relacionais que comprometem a adaptabilidade da pessoa.

- A Intervenção em Psicomotricidade

A Psicomotricidade tem como finalidades:

• A comunicação, gerindo a ambivalência surgida do desejo de identificação e de dependência e da dinâmica de trocas;
• A criação, como capacidade de ação pessoal transformadora;
• O acesso a um pensamento operatório, passando de um pensamento essencialmente imediato ao estabelecimento de relações lógicas entre os elementos da ação e do pensamento, desenvolvendo a capacidade de identificar, discriminar, analisar e sintetizar a informação;
• A harmonização e maximização do potencial motor, cognitivo e afetivo-relacional, ou seja, o desenvolvimento global da personalidade, adaptabilidade social e adequabilidade do processamento de informação.

O instrumento de trabalho é o corpo em movimento, o do terapeuta e o do indivíduo, como meio de relação consigo próprio, com o outro e com o envolvimento (o espaço, o tempo e os objetos).

- A intervenção em Psicomotricidade pode-se dividir em duas componentes: a Instrumental e a Relacional.

• Psicomotricidade Instrumental: intervenção com maior fundamentação de tipo cognitivo e neuropsicológico, privilegia a intervenção centrada nas situações problema, apelando à descoberta guiada e ao pensamento divergente. As situações devem ser apresentadas em forma de jogo e de forma a serem vividas como situações de êxito, estabelecendo uma relação de confiança e motivação entre a criança e a ação. O recurso à demonstração deverá ser reduzido, evitando a imitação, utilizando a mediação cognitiva de forma a favorecer os processos de análise, integração e elaboração da informação, promovendo as capacidades de reflexão, invenção, expressão e transposição, possibilitando a expressão criativa do indivíduo. A verbalização deve ser explorada quer na antecipação da atividade quer na sua avaliação de forma a que a ação seja interiorizada, passando da experiência imediata à tomada de consciência.

• Psicomotricidade Relacional: centra-se na componente psico-afetiva e relacional, permite como que um "reviver regressivo da relação primordial maternal num diálogo tônico-emocional". Neste diálogo, por mediatização corporal, a comunicação é sobretudo não verbal envolvendo as "orientações corporais, as posturas, a distância interpessoal, as mímicas, a gestualidade, a respiração, a voz, a sincronia rítmica, o contacto corporal, o olhar, o odor,...". A intervenção deve basear-se em situações que possibilitem ultrapassar os bloqueios existentes e permitam a flexibilidade e liberdade de expressão gestual, através de uma atmosfera permissiva, segura e lúdica. Os objetos (balões, cordas, arcos, bolas, tecidos, etc.) devem ser utilizados como mediadores, sendo introduzidos não apenas pela sua funcionalidade e utilização práxica mas sobretudo pelas produções do tipo simbólico que vão encorajar.

O ambiente lúdico constitui outro aspecto fundamental ao nível da Psicomotricidade, dadas as suas características (ativo, dinâmico, significativo, motivante, construtor,...) constitui um facilitador e potencializador da vivência corporal, da relação, da comunicação e da aprendizagem. (Autor: Alexandra Amante/Núcleo de Évora da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral)

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